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“Ponto Final” Dá Aula Em Construção De Núcleos Com Tão Pouco Tempo

Foto do escritor: Kauê Alves Martins
Kauê Alves Martins
há 7 dias
2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Por: Kauê Alves Martins


Curta-metragem Ponto Final. Direção de Leandro de Paula.


Até onde o desespero pela falta de dinheiro pode nos levar? Essa é uma pergunta que o curta-metragem santista “Ponto Final”, dirigido por Leandro de Paula, responde. Premiado  recentemente dentro da 17ª mostra MABS de cinema, a produção acompanha um jovem que, sem conseguir pagar as contas e com o risco de ser despejado, acaba se envolvendo em um roubo. As coisas tomam outro rumo quando um erro desse mesmo jovem durante o assalto traz um impacto profundo, envolvendo a vida de outra pessoa e levando a consequências irreversíveis. 


A atmosfera da história é construída dentro de dois diferentes núcleos que acompanhamos ao longo dos 18 minutos de filme. Além do âmago encabeçado pelo jovem João Guilherme (Dikuã Jahmall), também assistimos o relacionamento de Isadora (Mayara Gomez), que está desgastado pelo uso excessivo da moça no celular, fazendo-a não aproveitar os momentos de romance ao lado de seu parceiro. 


O mais interessante na forma como esses dois núcleos são separados é a forma como a câmera trabalha em cada um deles: enquanto as partes protagonizadas pelo casal são filmadas sempre de longe, quase como se alguém estivesse testemunhando essas cenas mas não intervindo diretamente, nas sequências dos assaltantes a câmera atua como um catalisador dos sentimentos de João Guilherme, com seus planos fechados expondo as ansiedades e desesperos do personagem.


Inclusive, essa diferença de construção por parte da direção se torna curiosa quando os dois núcleos se misturam e protagonizam sequências juntos. Isso acontece duas vezes ao longo do curta. Na primeira, há uma tensão de um possível assalto contra a personagem de Mayara Gomez mas a direção não deixa o clima ir totalmente para o suspense, sempre usando a atriz e a câmera para trazer uma certa leveza para a cena, afinal, o clímax do curta viria com outra cena de assalto. É nessa segunda cena de roubo onde a direção se torna mais ágil, tornando os cortes e as atuações mais rápidas e trazendo um suspense interessante de ser visto, onde o protagonista percebe todas as furadas que se meteu e que não há mais volta, não há mais ponto final.

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